O Google avisou: autor inventado no blog agora conta contra você
Sabe aquele blog de empresa em que todo artigo é assinado pela "Dra. Fernanda, especialista com 20 anos de experiência", com uma foto bonita demais e nenhum registro que dê pra conferir? O Google resolveu escrever na regra o que pensa disso. E não é elogio.
O que mudou
No começo de outubro, o Google acrescentou um parágrafo no guia de conteúdo útil do Search Central, a página onde ele explica que tipo de conteúdo quer mostrar na busca. Quem noticiou primeiro foi o Search Engine Roundtable.
O texto diz, traduzindo: evite informação de autoria enganosa. Inventar perfis de autor, com foto gerada por IA, nome que não existe ou credencial falsa, pra fazer parecer que o texto foi escrito por especialistas de verdade, é uma forma de enganação. E qualquer enganação deixa a página pouco confiável, tanto pra quem lê quanto pros sistemas automáticos que avaliam qualidade. Ou seja: é sinal de página fraca.
Por que isso apareceu agora
Porque virou epidemia. Ficou barato demais gerar cem artigos por mês com IA, gerar um rosto que não existe e colar um "Dr." na frente de um nome qualquer. O leitor olha, vê um especialista, confia. Só que o especialista nunca existiu.
O Google sempre pediu pra deixar claro quem escreveu o conteúdo. Na mesma página, ele diz que incentiva colocar informação de autoria correta. O que mudou é que agora ele também diz, com todas as letras, o que acontece quando essa informação é mentira.
O que entra na conta
- Foto gerada por IA no lugar do rosto de uma pessoa real.
- Nome inventado, de alguém que não trabalha na empresa e nunca escreveu nada.
- Credencial falsa: o "nutricionista" sem registro, o "advogado" sem OAB, os "15 anos de mercado" que ninguém consegue conferir.
Repare que o problema não é ter autor. É ter autor de mentira. Um texto assinado pela equipe da empresa, sem foto, é honesto. Um texto assinado por uma médica que não existe, não.
E a IA, pode ou não pode?
Pode. O Google não proíbe texto feito com ajuda de IA. O que ele chama de pouco esforço, no mesmo guia, é usar IA pra produzir muito texto sem ninguém revisar nem escolher o que entra. A diferença está em quem responde pelo conteúdo.
IA escrevendo o rascunho e uma pessoa de verdade revisando, corrigindo e assinando: tudo certo. IA escrevendo tudo e um especialista inventado assinando por cima: é exatamente o caso que a regra descreve.
O guia também pede uma coisa simples: que o conteúdo seja correto. Uma das perguntas que ele sugere fazer é se o texto tem erro fácil de verificar. Texto de IA sem revisão costuma ter vários.
Clínica, advogado, finanças: aqui aperta mais
O Google trata com mais rigor os assuntos que podem mexer com a saúde, o dinheiro ou a segurança de alguém. Pra esses temas, o guia diz que o conteúdo precisa ser muito preciso e bater com o que os especialistas da área concordam.
Junta as duas coisas e fica fácil de ver o risco. Uma clínica com blog de "dicas de saúde" escritas por IA e assinadas por um médico que não existe está fazendo, ao mesmo tempo, as duas coisas que o Google mais desconfia. Se a sua empresa é da área da saúde, do direito ou de finanças, esse é o primeiro texto do seu blog que você deveria revisar.
Não é um "ranking de autor"
Vale o cuidado: a regra não diz que o Google agora confere o diploma de cada autor, nem que existe uma nota secreta por assinatura. Ela diz uma coisa mais simples e mais chata pra quem engana: enganação é sinal de página de baixa qualidade. Quem escreve com o próprio nome não precisa se preocupar. Quem inventou um time de especialistas, precisa.
O que fazer essa semana
- Abra o seu blog e olhe quem assina. Cada nome ali é de uma pessoa real, que trabalha ou trabalhou com você?
- Troque foto de IA por foto de verdade. Pode ser do celular. Rosto real ganha de rosto perfeito.
- Tire credencial que você não consegue provar. Se tem registro profissional, coloque. Se não tem, não invente.
- Revise texto feito com IA antes de publicar. Alguém da área lê, corrige e assina.
- Arrume a página "Quem somos". Nome, foto e função de quem está por trás da empresa. É a primeira página que o leitor desconfiado abre.
A real
Autor inventado sempre foi feio. Agora, além de feio, está escrito na regra de quem decide se o seu site aparece. A boa notícia é que a saída é barata: botar gente de verdade na frente do que você publica.
Se o seu blog tem mais especialista inventado do que funcionário, a Vista ajuda a arrumar a casa: site e conteúdo com nome, rosto e informação que dá pra conferir. Conta o seu caso no briefing.


